A LUZ SOBRE OS MONTES


Compreendo a ti, ainda que para ti seja algo imperceptível ou até mesmo encoberto na névoa da dúvida. Sei quando teu olhar se perde na imensidão ou em um ponto qualquer como se estivesse a procura de sentido! O que há dentro de ti é tão profundo e singular que gostaria de contar para ti em palavras. Mas o que são as palavras para descrever tudo o que sinto e vejo? São como pequeninos grãos de areia diante da dimensão que se revela diante de mim dia após dia.


Conheço-te como a mim. Tua alma é irmã da minha alma. Na verdade, tens a alma de uma criança que enxerga o mundo de forma sublime e pura, porém, ao se referir a ti, evocas a loucura, como se fosse um ato libertador para si. Que assim seja! Para mim a loucura contem a paixão e a genialidade, algo que nunca deveria nos constranger. Na realidade, também tenho alma de criança pois antes de olhar para ti, vejo a mim. Somos como espelhos. Olhamos e vemos no outro o que reconhecemos em nós.

E qual a razão de estar aqui a lançar mão da palavra? Existem muitas questões, e não há respostas para todas elas. Então prossigo em meus diálogos e faço escolhas significativas. De tudo o que me circunda, escolho a luz, esta é sempre a minha inclinação rumo à evolução. Aprendi a cultivar a serenidade do entendimento, o que se alcança com a sabedoria dos anos e experiências já vividos. Então, é para lá que dirijo o meu olhar, para a luz que desce brilhante sobre os montes, essa mesma luz que em mim faz fluir o que agora estou a fazer.

Texto e fotografia: Mirian Valente

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